A Chegada do Anticristo

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Estes homens haviam sido membros de uma igreja local, mas não eram crentes reais (1Jo 2:19), pois não acreditvam que Jesus era o Cristo. Estes foram expulsos da igreja, sendo agrupados juntamente com os “anticristos” (1Jo 2:18,22; 4:3).

 

“E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo…” (1 Jo 4.3 )

 

Esses homens tinham o espírito do anticristo, e não o Espírito de Deus (1Jo 4:1-3). Os seus ensinamentos baseavam-se em: negar a encarnação (1Jo 4:3), no engano (1Jo 1:6-10) e no egoísmo (1Jo 4:7-13, 20,21). Para combater tais ensinamentos heréticos, João enfatizava que um verdadeiro cristão, Salvo em Cristo, tem três características: Crer que Jesus é verdadeiramente o Cristo vindo em carne, obedecer aos mandamentos de Deus através de Jesus Cristo e uma atitude de amor a Deus e ao próximo.

 

I. AS HERESIAS

O Cristianismo histórico sempre creu que Deus Filho tomou uma verdadeira natureza humana. Esta crença foi sistematizada através do grande Concílio de Calcedônia, no ano 451 da era cristã, afirmando: Jesus é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e suas duas naturezas são assim unidas, sem mistura, confusão, separação ou divisão, cada natureza retendo seus próprios atributos. (1)

Geralmente os estudioso do Novo Testamento concordam que o gnosticismo foi a principal heresia combatida por João. Por gnosticismo, hoje, podemos destacar dos grupos: docético e cerintiano.

A) Docetismo: Ensinava que Jesus não foi uma pessoa real, de carne e sangue; ele era um fantasma, que apenas parecia ter substância física.

B) Cerintianismo: Ensinava que Jesus foi o filho natural de José e Maria; o Cristo, em forma de uma pomba, desceu sobre Jesus depois de seu batismo e dominou completamente seu ser; o Cristo deixou Jesus antes do sofrimento e Crucificação e voltou para Deus; Jesus morreu, ressuscitou e simplesmente desapareceu.

O elemento básico relacionado a esses sistemas de gnosticismo é a idéia de que Deus, sendo o bem perfeito, não poderia ter criado o mundo físico (que é mau); portanto, o Cristo, sendo divino, não poderia ter-se encarnado.(2)

 

II. CONCEITO DE ANTICRISTO

Até aqui compreedemos que João estava combatendo as heresias que surgiram, mas antes de continuarmos nosso comentário precisamos entender o que João queria dizer quando utilizava a palavra anticristos e o anticristo. Lembramos que esta palavra (anticristo) só aparece nas suas epístolas e apesar de João ter escrito o livro de Apocalipse ele não menciona esta palavra.

De acordo com o teólogo reformado Louis Berkhof, a morfologia da palavra anticristo (antichristos no grego) tem os seguintes significados: (a) Alguém que toma o lugar de Cristo, neste caso, ‘anti’ é entendido no sentido de em lugar de; (b) Alguém que, embora assumindo a aparência de Cristo, opõe-se a Ele; neste caso, ‘anti’ é empregado no sentido de contra. Berkhof acredita que o significado do item b está em maior harmonia com o contexto da epístola de João.

Se analisarmos o contexto de 1Jo 4, perceberemos que João não estava chamando de anticristos as pessoas que eram oposta a fé cristã, mas estava chamando de anticristos as pessoas que conheciam a fé, estavam no meio da igreja local, mas não eram salvas e por isso deturpavam a fé, pois não acreditavam em Jesus Cristo. Esses anticristos ensinavam o oposto do que João viu, presenciou e foi ensinado pelo Senhor Jesus. Os principais ensinamentos desses falsos mestres eram: negar a encarnação (1Jo 4:3), a iniqüidade (1Jo 1:6-10) e a falta de amor (1Jo 4:7-13,20,21). Por esse motivo, também concordamos com Berkhof, pois pessoas que se diziam “cristãs” (seguidores ou representantes de Cristo e de seus ensinamentos) estavam deturpando a verdadeira fé.

 

III. EM QUEM O ESPÍRITO DO ANTICRISTO OPERA?

Existem várias forma de deturpar a fé cristã. A principal forma consiste em ensinar o cristianismo como uma filosofia de vida, sem levar em consideração o que Jesus representa para a nossa vida e que Ele é o Deus.

Um exemplo disso Ao retirar um trecho do artigo Jesus ressusitou.E nós com Ele: “Jesus, o Cristo Ecumenico, ressuscitou. E nós com Ele, todas as vezes que integrados estamos no Seu pensamento de amor, justiça e solidariedade”.

Podemos perceber ensinamentos hereticos juntamento com ensinamentos filosóficos de vida. 1) Quando diz que o Cristo é ecumenico, traz a idéia de que Cristo é comum a todas as religiões, mas como isso é possível se cada religião tem o seu próprio deus? Isso é possível quando Cristo não é considerado o único Deus Verdadeiro. 2) Realmente amor, justiça e solidariedade são virtudes cristãs, mas apenas os eleitos de Deus serão ressuscitados no último dia (Jo 6:40).

Infelizmente até mesmo nas igrejas locais evangélicas existem os anticristos que mais cedo ou mais tarde irão se manifestar (apóstatas). Essa situação não é um privilégio da igreja nos dias de hoje, na época de João também vimos que existiam anticristos infiltrados na igreja primitiva: “Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.” (1Jo 2:18-19)

Define-se a palavra regeneração (do grego: paliggenesia) por: novamente, uma vez mais, e genesi que significa nascimento, criação.(4) A regeneração só pode ser realizada pelo Espírito Santo (Tt 3.5). Todos os que foram regenerados são salvos em Cristo Jesus (2Co 5.17), não são mais filhos da desobediência ou filhos da ira de Deus, escravos do pecado e obedientes ao príncipe das potestades do ar (Ef 2.2-3).

O espírito do anticristo opera somente nos não-regenerados. Na igreja local da época existiam muitos anticristos que mais cedo ou mais tarde se manifestavam; e hoje não é diferente (1Jo 2.19). Considero aqui como igreja local o lugar onde existem os salvos em Jesus Cristo e o que pensam ou acham que são salvos (os futuros apóstatas). Pois, a Igreja do Senhor que é composta somente pelos salvos não se limita a uma igreja local pertencente a uma denominação, e sim a todos os que crêem em Jesus Cristo como o seu único salvador.


IV. O ANTICRISTO ESCATOLÓGICO

Além desses “lobos” na pele de cordeiro que ameaçam a fé cristã e confundem a muitos, precisamos também saber que nos últimos tempos virá o Anticristo em carne. A Bíblia Sagrada tráz várias referências sobre esse anticristo:

Segundo

Descrição do anticristo

Versículo

Ezequiel

“O príncipe de Tiro”

Ez 28:1-10

Daniel

“O pequeno chifre”; O “príncipe” ímpio; O “rei”voluntarioso;

O consumador dos “tempos dos gentios”

Dn 7:8;Dn 9:24-27;

Dn 11:36-45

Cristo

“A abominação da desolação, fala por Daniel, o profeta”;

Aquele que vem “em seu próprio nome”

Mt 24:15; Jo 5:43

Paulo

“O homem do pecado”; “filho da perdição”

2Ts 2:1-4

João

“O primeiro cavaleiro num cavalo branco”; “A besta que surgiu do mar”

Ap 6:2; Ap 13:1-8

Segue algumas considerações sobre o Anticristo que virá (3) e (4):

(a) O esboço do Anticristo em Dn 11 é mais ou menos pessoal, e pode referir-se a uma pessoa definida como um tipo de Anticristo.;
(b) Paulo fala do Anticristo como “o homem da iniqüidade” e como “o filho da perdição”. Devido ao peculiar emprego hebraico dos termos “homem” e “filho”, estas expressões, em si mesmas, podem não ser conclusivas, mas o contexto favorece a idéia de pessoa. Ele se levanta contra, ostenta-se como se fora Deus, tem uma revelação definida, é o iníquo, e assim por diante;
(c) Embora João fale de muitos anticristos como já presentes, fala também do Anticristo no singular, como alguém que ainda virá no futuro, 1Jo 2.18;
(d) Mesmo no livro de Apocalipse, onde a apresentação é grandemente simbólica, não falta o elemento pessoal, como por exemplo, em Ap 19.20, que fala do Anticristo e seu subordinado como sendo lançados no lago de fogo;
(e) E, desde que Cristo é uma pessoa, é simplesmente natural entender que o Anticristo também será uma pessoa;

(f) Em Daniel 7.1-8, percebemos que o Anticristo será um governador de nações combinadas;

(g) No meio da Grande Tribulação, ele ocupará o santo lugar, de acordo com a profecia de Daniel citada por Jesus (Mt 24:15 observe o contexto), e sentará no santuário(o templo restaurado dos judeus) como está predito por Paulo (2Ts 2:1-12);

(h) É identificado pela Escritura por suas presunçoes blasfemas de dinvidade, afim de expressar sua paixão pelo seu senhor, Satanás, que será revelado nas próprias palavra de Satanás, “Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14);

(i) Ele tem uma ferida mortal e, todavia, vive (Ap 13.3).


V. CONCLUSÕES

Em relação ao espírito do anticristo e dos anticristos mencionados por João, podemos concluir que ele chamava de anticristos as pessoas que conheciam a fé, estavam no meio da igreja local, mas não eram salvas e por isso deturpavam a fé. E a origem dessa atitude deve-se ao fato de essas pessoas terem o espírito do anticristo e não o Espírito Santo, que habita somente nos salvos (1Co 6.19).

Vale aqui uma observação: Não é correto dizer que uma pessoa tem o espírito do anticristo, somente porque não concorda com a ideologia, costume ou normas de uma igreja local e venha a mudar de igreja local. Não! Esses enganadores não saíram da igreja porque discordavam de uma ideologia, costume ou normas da igreja local, e sim porque conheciam a Verdade mas não criam na Verdade e por isso estavam deturpando os ensinamento de Cristo, prejudicando a igreja.

E em relação ao Anticristo escatológico podemos concluir que o mesmo virá para governar este mundo que está no maligno(1Jo 5.19), uma vez que o seu espírito está presente e opera em todos os não-regenerados.

Todos esses alertas nos levam a refletir que precisamos conhecer melhor a Jesus, pois a forma como conhecemos Cristo interfere no nosso relacionamento com Deus. Além de buscarmos a Deus em oração, temos que estudar a cada dia mais a sua Palavra para sabermos identificar os anticristos que estão no nosso meio e conhecer as características do Anticristo. Evitando que sejamos enganados e atingidos. Se ficarmos com os ensinamentos bíblicos, com certeza não teremos nossa fé corrompida.



Notas:


1. SPROUL, R. C. Curso das doutrinas essências da Fé Cristã.

2. HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. Ed. Juerp, 1983.

3. BERKHOF, L. Teologia Sistemática. 3 ed. Campinas: Luz para o Caminho, 2002.

4. CHAFER, Lewis S. Teologia Sistemática. São Paulo: HAGNOS, 2003.

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