Por que não comemoramos a reforma protestante???

Por que não comemoramos a reforma protestante???

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No início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as idéias dos pré-reformadores, publicou três sermões contra a “venda” do perdão total ou parcial dos pecados (indulgências), em 1516 e 1517. Em 31 de outubro de 1517, Lutero pregou as 95 teses contrárias ao papado, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.

No Brasil, no dia 31 de outubro, comemora-se o halloween, uma festa que nada tem a ver com nossa cultura. Por quê??? Qual o motivo de celebrar uma festa em homenagem às bruxas em detrimento a um acontecimento histórico-mundial, que transformou o mundo medieval em moderno?

Não há dúvidas que o nosso legado católico tem total influência sobre isto. Não faria sentido um país católico adotar um feriado protestante. Quando o Brasil ainda estava no período embrionário, a igreja católica deu uma resposta dura contra os protestantes chamada contra-reforma.  O papa Paulo III convocou o Concílio de Trento (1545 – 1563) e adotou algumas medidas radicais:

a) Retorno da Inquisição, a fim de vigiar, perseguir, prender e punir aqueles que não estavam seguindo a doutrina católica. Milhares de protestantes, judeus e integrantes de outras religiões foram perseguidos e punidos pelo Tribunal do Santo Ofício.

b) Criação do Índice de Livros Proibidos (Index Librorium Proibitorium): relação de livros contrários aos dogmas e idéias defendidas pela Igreja Católica. Os livros apreendidos eram queimados. Quem fosse pego com materiais deste tipo receberia punições severas.

c) Criação da Companhia de Jesus: Os índios brasileiros foram catequizados por jesuítas como, por exemplo, Padre Manoel da Nobre e José de Anchieta.

Muitas medidas contra os protestantes, principalmente aquelas que causavam o dolo físico, causaram pânico e um maior apego à igreja católica, mas não pelo temor ao Deus que eles se intitulavam representantes, mas sim pelo temor às perseguições que passaram a fazer parte do cotidiano de todos. Países latinos há muito tempo, celebram uma variedade de feriados públicos de origem católica romana, desde o dia de Corpus Christi até o dia de São Pedro e São Paulo.

Surpreendentemente o Chile declarou o dia 31 de outubro como feriado público em honra às “igrejas evangélicas e protestantes”. O que torna incomum a decisão de celebrar a Reforma é o fato de que o Chile é o único país da América Latina que ainda possui um Partido Democrático Cristão (católico). Apesar disso, o novo feriado foi aprovado com votação unânime no Congresso. Somente a Eslovênia e alguns estados da Alemanha (Brandenburg, Mecklenburg-Vorpommern, Sachsen, Sachsen-Anhalt, Thüringen) estabeleceram essa data como feriado. O único município brasileiro a comemorar a reforma, com feriado municipal é o Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco.

Embora o nosso país considere-se laico (estado e religião não se misturam), várias cidades brasileiras criaram o dia do “evangélico”. No entanto, os criadores desses projetos de lei desprezaram a reforma. Por que não comemorar no dia 31 de outubro em homenagem à Reforma??? Agindo assim eles tornaram sem sentido um “dia para os evangélicos”. Como exemplo, citamos aqui algumas cidades: Brasília/DF – 30 de novembro; Juazeirinho/PB – 20 de outubro; Borba/AM – 10 de julho; Guanambi/BA – 10 de setembro; 2ª sexta-feira de agosto – comemoração facultativa no estado de São Paulo.

Fica aqui a pergunta:

Qual o significado da reforma protestante no Brasil???

A invasão da Baía de Guanabara, assim como a holandesa, foi efetuada por protestantes vindo do velho continente, mas além de não alcançarem êxito político-militar, também não influenciaram religiosamente a população daquelas regiões. O Brasil foi totalmente influenciado pela contra-reforma que contribuiu para isolar os países católicos da renovação intelectual, motivada pela reforma protestante e iniciada na Europa a partir do século XVII.

Com a vinda da família real portuguesa ao Brasil e abertura dos portos a nações amigas, através do Tratado de Comércio e Navegação comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana no país, em 1810. Em seguida os alemães trouxeram o luteranismo em 1824. Em 1855, o escocês Robert Reid Kelley funda, no Rio de Janeiro, a Igreja Congregacional do Brasil. No dia 12 de agosto de 1859 chega ao Brasil o missionário americano Asbel Green Simonton, o qual fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1871, o primeiro grupo batista se estabeleceu em Santa Bárbara d’Oeste, no Estado de São Paulo, trazido por missionários americanos.

Depois disso vieram os pentecostais, que na sua origem, não conheceram a tradição reformada, porque eram evangélicos americanos. Segundo Nancy Pearcey, o evangelicalismo americano, influenciado pela independência dos Estados Unidos, seguiu o ideal libertário da época e desprezou todo o legado herdado pelos reformadores. Esse fato diminuiu consideravelmente o valor da reforma protestante nos E.U.A e consequentemente no Brasil.

No século XX os pentecostais investiram pesado no país e tornaram-se a grande maioria dos evangélicos. A consequência inicial desse novo perfil protestante brasileiro foi a sua separação e, até certa antipatia com toda a tradição reformada, porque a reforma foi e é totalmente contrária ao pentecostalismo.

Resumindo, a contra-reforma que disseminou o medo entre os protestantes e seus simpatizantes, juntamente com a chegada do pentecostalismo a partir do século XX, fez com que as igrejas protestantes brasileiras, exceção feita às conhecidas como tradicionais, deixassem de lado as tradições reformadas e adotassem o evangelicalismo americano.

Diante de todo esse histórico, é difícil imaginar a grande maioria dos evangélicos brasileiros comemorando o dia 31 de outubro, como o dia da reforma protestante, porque grande parte deles não foi ensinada a apreciar positivamente a reforma, que se caracteriza pela intelectualidade e racionalidade. Além disso, comemorar a reforma significa romper com a ignorância bíblica, a exploração financeira das pessoas, a busca de experiências místicas, falsas teologias, a idolatria gospel e outras mazelas que tem afetado a igreja evangélica tupiniquim.

O lado comercial é outro fato a ser observado. O Brasil é um país místico e por isso o ocultismo é bastante rentável por aqui. Por trás das máscaras, fantasias, doces, abóboras e fogueiras, existem um convite à magia e a cegueira espiritual. Filmes de terror também contribuem para dar ao dia um clima ainda mais místico e fantasioso. É muito melhor para o comércio local festejar o halloween do que a reforma. Afinal, como incentivar as pessoas a se fantasiarem de crentes com a bíblia na mão e cantando “castelo forte” (hino de autoria de Martinho Lutero)???

Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro). Segundo o pastor Renato Vargens, já existe o halloween gospel, ou seja, a festa ocultista travestida de evangélica para atrair pessoas para as igrejas. É a velha história do marketing tentando substituir o evangelho.

Seria mera coincidência de datas a comemoração do halloween e da reforma no mesmo dia??? O bem e o mal disputando a preferência do povo??? Nós somos a luz do mundo e devemos tentar influenciar o nosso meio para libertar as pessoas e trazê-las das trevas para a divina luz. Não comemorar o halloween é insuficiente para os cristãos. Temos o dever de alertar as pessoas da cegueira e da prisão que se encontram.

Comemoremos!!! No dia 31 de outubro de 1517, Deus levantou um homem pecador e o encheu com o seu Santo Espírito, a fim de avivar a sua igreja e tirar o mundo da idade das trevas para a modernidade…

SOLI DEO GLORIA!!!!!!!!!!

Notas:


KUJAWSKI , Gilberto de Mello. Idéia do Brasil: A Arquitetura Imperfeita. São Paulo: Ed. Senac, 2001.

PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. Rio de Janeiro, CPAD, 1ª edição 2006.

SANTOS, Vacilius Lima. Halloween Veneno com gosto de festa. São Paulo, Ed. Naos, 2004.

http://www.monergismo.com/textos/teologia_reformada/igreja-reformada-seita_wieske.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Protestantismo#O_protestantismo_no_Brasil

http://renatovargens.blogspot.com/2008/10/halloween-gospel.html

http://raylsonteixeira.blogspot.com/2009/10/halloween-gospel.html

 

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