Todos juntos

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Após a ascensão de Cristo, os apóstolos voltam para Jerusalém. Essa era a ordem de Cristo.

Andaram cerca de 1 Km e subiram ao cenáculo. Aqui valem duas explicações:

1ª) o caminho de um sábado era uma medida de extensão comum (2.000 côvados) para explicar quantos côvados era necessário para se chegar ao local. Como um côvado media aproximadamente 44,5cm, significa dizer que eles andaram cerca de 1 Km para chegar ao seu destino.

2ª) o cenáculo era como um sótão. Estava sempre na parte superior dos lares palestinos. Por isso, Lucas afirma que eles subiram.

Esse poderia ter sido um triste retorno. Possivelmente, o povo os veria com grande surpresa em Jerusalém porque esperava vê-los desolados, tristes, desanimados, desesperançados e totalmente sem rumo; afinal, voltavam para a cidade onde seu mestre fora crucificado como maldito.

Ao invés disso, eles chegaram determinados a obedecer a Cristo até as últimas consequências. Tinham visto Cristo ascender aos céus de forma espetacular e receberam a promessa de que seu mestre iria voltar da mesma forma como subiu aos céus, dando-lhes motivação para continuarem a revolução espiritual iniciada por Ele.

Não se consideraram coitadinhos, nem ficaram com autocomiseração. Despojaram-se do medo e da incredulidade para obedecerem a uma ordem que para a maioria pareceria absurda e sem lógica. Afinal, eles se reuniriam para aguardar a descida do Espírito Santo, e eles ainda não conheciam esse poder.

O que estava por detrás dessa firmeza de propósitos? Seria a perseverança? A fé inabalável? Um gesto de desespero de quem já havia perdido a batalha? Loucura misturada com curiosidade?

Claro que existem várias opiniões. Porém, acredito que o amor foi a mola propulsora da obstinação deles. O apóstolo Paulo disse aos coríntios: “O amor… tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” I Cor 13:7.

Atualmente, a fé é exaltada e considerada a maior de todas as virtudes do cristão. Talvez, um dos principais motivos disso é a teologia da prosperidade, que instituiu a relação causa e efeito; ou seja, se você tem fé, irá conseguir tudo o que quer; se não tem, lamenta-se!!!

Com isso, o conceito bíblico de fé ficou distorcido. Hoje em dia, as pessoas enxergam a fé como um poder da mente, misturando-se com conceitos filosóficos orientais e heréticas crenças espiritualistas, animistas e paracientíficas, como por exemplo, o Movimento da Nova Era.

Compare uma mensagem da Nova Era colocada em um site e as mensagens sobre prosperidade pregadas nos púlpitos das igrejas. Veja: “Conhecereis a verdade, e ela vos libertará!” A Verdadeira Nova Era já chegou… esqueçam a negatividade, o pessimismo, os pensamentos e sonhos ruins. Catástrofes? Guerras? “Doenças”? Mentiras? Manipulações da “Elite” Dominante? Não liguem, não se preocupem… não é importante, não de verdade. Tudo vai ficar bem, tudo já está bem… Aqui. Agora. Silêncio.. Paz. Riam, sejam felizes! É hora de imaginarmos a Nova Terra, nossas novas vidas… um mundo inteiro de paz!”. http://www.umanovaera.com/. Viu? Não é parecido? É só acreditar?

Colocar essa fé no pedestal também tem outras implicações errôneas e humanistas:

a) a soberba, que é pecado, aflora na pessoa e esta começa se vangloriar por ter mais fé do que outros;

b) a cobiça, que é pecado, passa a ser o alvo, pois, conforme o pensamento atual, quem tem mais fé, tem mais conquistas no reino, principalmente materiais ou financeiras;

c) essa fé exaltada pela teologia da prosperidade é vista como uma virtude nata; ou seja, ela é considerada uma virtude pessoal e não fruto do Espírito;

d) o egoísmo, que é pecado, é colocado em prática, pois a pessoa começa a acreditar que as coisas irão acontecer conforme seus próprios desejos, não se importando com as consequências de suas conquistas. Isso significa que a pessoa espera que Deus tire a benção de outros para a sua satisfação;

e) a fé (ensinada nas falsas teologias) não requer santificação, pois não se exige nada além de acreditar.

A Bíblia nos ensina que a fé é um dos frutos do Espírito. Vêm da regeneração e do novo nascimento. Cada um tem a sua porção concedida por Deus, conforme a sua bendita graça (Rm 12.3,6). A fé cresce à medida que nós ouvimos e praticamos a palavra do Senhor em nossas vidas.

Sim, é através dessa fé que Cristo nos justifica diante de Deus, agindo como nosso advogado, para que Deus cancele a nossa dívida de pecados, livrando-nos da ira futura.

Vamos falar um pouquinho sobre o amor…

Cristo nos ensinou que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor. Não é a fé o grande destaque do cristão e sim o amor a Deus e aos outros. Medite sobre o mandamento de Jesus: “Um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros; como eu amei a vós, que também vós uns aos outros vos amei. Nisto conhecereis que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” Jo 13.34-35.

Esse amor que Cristo ensina não é apenas um sentimento. São atitudes fundamentadas no amor de Deus, que nos impulsiona e nos fortalece, direcionando-nos à prática de boas obras.

O amor é sacrificial e coletivo. Acontece de dentro para fora. Exige a presença de Deus e de outras pessoas. É impossível amar apenas a si mesmo. Quem pensa apenas em si é egocêntrico e narcisista, não enxergando a realidade da vida social e das necessidades de outros indivíduos em relação às suas. Sua vida baseia-se em fantasias egoístas.

Só quem ama a Deus consegue obedecer prontamente, de todo coração. Foi o próprio mestre quem disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras.” (João 14:15; 23-24).

Esse amor uniu os discípulos. Eles perseveraram juntos. O poder do amor venceu a individualidade, a cobiça, o orgulho, as diferenças de opiniões e pensamentos.

O amor os manteve numa só fé e os motivou a suplicar em oração pelo cumprimento das promessas de Cristo. Na verdade, só tem fé em Cristo quem o ama em primeiro lugar.

A verdadeira Igreja, o Corpo de Cristo, continua unida e perseverante em súplicas e orações por este mundo caído. O Espírito Santo continua derramando amor nos corações e reunindo todos ao redor de um só pensamento e conformando-os à imagem de Cristo.

Você é nosso convidado. Faça parte desse grupo. Permaneça firme na Palavra do Senhor, em união com os irmãos, perseverando na oração e santificação. Ame ao seu próximo como Cristo amou a Igreja e deu sua vida por ela.

Unidos em amor seremos mais do que vencedores em Cristo Jesus, Nosso Senhor!!!

Até a próxima!!!

Deus o abençoe!!!

 

 

Notas
 

 


 

1.Grudem, Wayne A. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. São Paulo: Editora Vida
Nova, 1999.

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