A nossa perseverança

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Partindo do pressuposto acima, vamos analisar uma das doutrinas fundamentais da reforma, que compõe o acróstico TULIP, chamada Perseverance of Saints, em português, Perseverança dos Santos.

Quando olhamos para a história do Cristianismo, percebemos que a doutrina da perseverança dos santos foi revelada da forma como a conhecemos no Novo Testamento e amplamente difundida na igreja primitiva.

Nas páginas do Novo Testamento vemos os cristãos sendo duramente perseguidos pelo império romano e por judeus também. Para incentivá-los a permanecerem na sua fé inabalável, os apóstolos escreveram os evangelhos e cartas às principais igrejas existentes na época.

Nos Evangelhos, temos afirmações contundentes de Cristo sobre o tema. João, o apóstolo querido, relata com propriedade algumas dessas passagens. No versículo 16 do capítulo 3, mais conhecido como o texto áureo da Bíblia, Cristo diz que “todo aquele que nele crê tem a vida eterna”. No capítulo 6 Ele garante que “ressuscitará no último dia aqueles que o Pai lhe deu”.

Na festa da Dedicação, Cristo desfaz qualquer dúvida sobre a segurança da salvação: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.” Jo 10.27-28.

Anos mais tarde, o apóstolo Paulo, encorajou as igrejas neo-testamentárias à perseverança enfatizando essa certeza. Aos Romanos ele escreveu que “nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus” e disse que “nada pode nos separar do amor de Deus” . Aos efésios ele disse que “o Espírito Santo é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua propriedade”. Aos filipenses ele declara: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” Fp 1.6.

Além de Paulo, outros autores também escreveram sobre a segurança da salvação. Eles conscientizaram os cristãos de seu tempo a perseverarem até o fim. Ensinaram que a perseverança é um fruto do Espírito, portanto o crente que não a possui, não pode considerar-se salvo. Somente os salvos perseveram até o fim. Em outras palavras, o salvo jamais perderá a sua salvação porque jamais desistirá dela. Ele é obsessivo. O alvo dele é Cristo e ele jamais desiste. É o Espírito dentro dele que comanda essa determinação.

Essa doutrina mostra com exatidão a máxima Divina: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” II Cor 12.9. Quando nos sentimos carentes, debilitados, prontos a pecar, clamamos: Abba Pai! Então o Eterno nos ajuda em nossas fraquezas. O Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Até mesmo batalhas acontecem nos céus, para que saiamos vencedores e alcancemos o prêmio da nossa soberana vocação.

Outra consequência desta doutrina é o equilíbrio. Ela nos afasta tanto do medo como da displicência.
O medo paralisa o ser humano. Impede as pessoas de pensarem corretamente, colocando-as diante de uma ameaça, na maioria das vezes, inexistente.
Quantos crentes se negaram a prazeres legítimos por medo de perderem sua salvação ou de não subirem no arrebatamento da igreja? Quantas famílias perderam seus membros queridos e tem dúvidas se o encontrarão salvos com Cristo?

Por outro lado, quantos pseudocristãos enganaram a si próprios quando usaram a famosa frase: “uma vez salvos, salvos para sempre”, como desculpa para suas loucuras. Não entenderam que o verdadeiro salvo é aquele que tem prazer na lei de Deus e na comunhão dos santos. Assim como cães andam em matilhas, lobos em alcateias e abelhas em colmeias; assim também os espirituais alegram-se na companhia de outros espirituais, porque a luz dentro deles afasta as trevas ao seu redor.

Louco é aquele que, nomeando-se salvo, passou a vida inteira dizendo à sua alma: “coma, beba e divirta-se”. Inutilizou a graça de Deus em sua vida. Esse jamais foi cristão.
Voltando ao pensamento inicial dessa mensagem, vamos falar um pouquinho de história.

Com a expansão do feudalismo por toda a Europa Medieval, observamos a ascensão de uma das mais importantes e poderosas instituições desse mesmo período: a Igreja Católica. Aproveitando-se da expansão do cristianismo, observada durante o fim do Império Romano, a Igreja Católica alcançou a condição de principal instituição a disseminar e refletir os valores da doutrina cristã.

Ao se tornar a religião oficial do império romano, ela transformou-se em mais um instrumento de opressão do estado. O cristianismo perdeu a essência de sua mensagem (amor) e assim como qualquer religião, a sua principal função foi manipular e controlar a sociedade.

Numa época mais conhecida como “idade das trevas”, a necessidade de dominar o pensamento imperava na corte. Mas, como fazer isso? Se Jesus disse que era a luz do mundo e depois disse o mesmo de sua igreja, como a difusão do cristianismo deixou o mundo na escuridão? Simples: a igreja proibiu a leitura das Escrituras e adulterou a sua mensagem.

Assim, criaram-se dogmas. O que é um dogma? É o ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível.
Dentre os diversos dogmas, destacamos a soteriologia (doutrina da salvação). Passou-se a ensinar que a salvação era pelas obras. Criaram o purgatório e a obrigatoriedade das indulgências para se livrar dele.

Dessa forma, era simplesmente impossível para o homem ter certeza da sua salvação.

A reforma lutou contra esse sistema de trevas existente. Trouxe de volta ao mundo a luz dos evangelhos, ensinando que a salvação dependia unicamente da graça de Deus.
Porém, como já dissemos inicialmente, o conhecimento transforma-se ao longo dos tempos. Da reforma até hoje o mundo mudou radicalmente. A teocracia e o absolutismo foram derrubados pelas revoluções sociais como a francesa, a industrial e a americana. O homem passou a ser racional.

Cientistas e pensadores como Charles Darwin, Augusto Comte, Karl Marx, Sigmund Freud, Nietsche, entre outros, reorganizaram o pensamento humano. Essas ideias libertárias dava ao mundo a sensação de que ele tinha sido recém-criado. Tudo era novo.

Os cristãos, principalmente na América, deram as costas para a teologia reformada e preferiram os ensinos do teólogo holandês Jacobus Arminius. Este ensinava que o cristão pode perder a sua salvação.
Novamente, a teologia serviria para controlar o homem, ao invés de levá-lo a refletir sobre Deus. Como a burguesia era quem comandava a América, foi ela quem financiou a evangelização do continente, principalmente dos índios. À burguesia interessava uma teologia que enfatizasse obras. Afinal, como um burguês gostaria de algo de graça?

Esses foram os principais motivos do abandono da teologia reformada pelos cristãos.

Sabemos, porém, que a história é cíclica. Chegou novamente o tempo de “reformarmos” a interpretação bíblica.

Como disse Platão: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”

Convido você para no final dizermos juntos: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.
Somos mais do que vencedores em Cristo Jesus!!!

Até a próxima!

Deus o abençoe!

 

Notas

 


1. Grudem, Wayne A. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. São Paulo: Editora Vida
Nova, 1999.
2. PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. Rio de Janeiro, CPAD, 1ª edição 2006.

 

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