O que significa isso???

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Hoje falaremos sobre o dia de pentecostes. Provavelmente, você já leu ou ouviu sermões a respeito desse assunto. Talvez considere esse tema um pouco repetitivo. No entanto, vamos andar por caminhos pouco percorridos desta passagem. Vejamos:

A festa de pentecoste é uma tradição mosaica, seguida até hoje pelos judeus. Logicamente que os tempos e os costumes são outros, por isso, hoje a festa foi adaptada, sendo chamada de Shavuoth ou Festa das Semanas.

 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. (At 2.1). O que realmente estava acontecendo aqui? Todos os que criam em Cristo estavam unidos por um motivo principal: aguardavam o recebimento do Espírito.

Eles eram um grupo de aproximadamente 120 pessoas comuns, tímidas, que não sabiam exatamente como começar a difundir os ensinamentos de Cristo, por isso, confiavam na promessa do Mestre: mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.” (Jo 14:26)

Existem nessa passagem de Atos dois paralelismos interessantes. Observe:

No Monte Sinai, Moisés recebeu as tábuas da lei para o povo de Israel, a fim normatizar comportamentos, trazer unidade de pensamentos e transformar um bando de peregrinos fugitivos em uma nação.

Veja o conceito: nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional. [Wikipédia]

Agora Israel era uma comunidade. Os representantes do Senhor dos Exércitos.

Para que os israelitas não tivessem nenhuma dúvida sobre o inicio de uma nova era, alguns sinais foram percebidos: “trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte, além de “fumaça e fogo” e “a aparência da glória de Deus (era) como de um fogo devorador.” (Ex 19.16-18; 24-7)

Assim como gloriosas manifestações foram vistas no Sinai, elas também foram vistas no pentecostes como nos conta Lucas: “de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.” (At 2.2-3)

Assim como aquele grupo de fugitivos do Egito tornou-se uma nação no Monte Sinai, em busca de uma pátria; capacitados para vencer grandes batalhas e tendo Deus como rei; aquele pequeno grupo de discípulos sem expressão, tornou-se o Israel de Deus, uma nação santa, um povo em direção à pátria celestial.

Como disse o apóstolo Pedro: “vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.” (1 Pedro 2:9-10)

Agora a Igreja era uma comunidade. A comunidade do Espírito.

E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. (At 2.3-4). No episódio da torre de Babel, os homens juntaram-se para desafiar a Deus. A língua era uniforme e esse foi o fator principal para que tivessem sucesso na construção da torre. Eles não tinham nenhuma dificuldade de comunicação. O resultado foi o juízo de Deus e uma confusão de línguas, trazendo separação.

No pentecostes os discípulos juntaram-se para obedecer a Deus. Foram distribuídas línguas, como que de fogo, (“como que”, significa que o fogo não foi literal, apenas simbólico; assim como o vento também). O fogo e o vento simbolizavam a presença divina e do Espírito Santo que purifica e santifica (Ex 3:2; Ez 1:13; Ml 3:2,3).

A partir desse episódio, os discípulos viram-se cheios do Espírito Santo, livres do medo, da vergonha e da escravidão do pecado.

O pecado nos tira o direito de “ir e vir”. Nós vamos até ele, ficamos presos na sua mentira, porém para voltarmos, só através da verdade que liberta: Jesus Cristo, o filho de Deus.

A liberdade concedida pelo Espírito tirou deles a responsabilidade de fazer prosélitos. Antes de Pedro fazer o seu discurso, as pessoas já ouviam a palavra de Deus, cada uma em sua própria língua.

Observe mais um detalhe interessante. Existiam dois grupos distintos na multidão. Uns diziam: “O que significa isso? Sobre o 2º grupo, a Bíblia registra: Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2.12-13).

Deixo aqui uma perguntinha para te inquietar. “Se todos ouviam falar em suas próprias línguas as grandezas de Deus” , porque temos duas reações totalmente opostas? Já pensou nisto? Talvez a resposta esteja no versículo 47: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. Você consegue perceber a soberania de Deus atuando poderosamente e convencendo os seus Eleitos através do Espírito Santo? Trazendo arrependimento, regeneração e conversão para esses perdidos, através da sua Maravilhosa Graça?

Vamos falar sobre as línguas. Por ser um assunto polêmico, prefiro não ficar apenas em minha opinião. Acho muito coerente o pensamento de John Stott em seu excelente livro “Batismo e Plenitude do Espírito Santo”, e reproduzo alguns fragmentos aqui. Vejamos:

…A vontade de Deus para as pessoas está na Palavra dele. Nela devemos tomar conhecimento da vontade divina, e não preferencialmente da experiência particular de indivíduos ou grupos, por mais reais e válidas que estas experiências possam ser. O que buscamos para nós mesmos e o que ensinamos a outros deve ser orientado somente pela Escritura. …A experiência nunca deve ser o critério da verdade; a verdade deve sempre ser o critério da experiência.

 Sendo assim, Jhon Stot afirma: “O que a Escritura descreve como acontecendo a outros não precisa necessariamente acontecer conosco; porém do que nos é prometido devemos nos apropriar, e o que nos é ordenado devemos obedecer.”

Sabemos, como afirma o professor que “todos os cristãos recebem o Espírito no momento em que começam as suas vidas cristãs. Esta verdade também é confirmada pelo uso da expressão “batismo do Espírito” no Novo Testamento como equivalente a “dom do Espírito”, ou, antes, o verbo (já que a expressão sempre é verbal) “batizar” ou “ser batizado” com o Espírito Santo. O próprio conceito de “batismo” é de iniciação. O batismo na água é o ritual público da iniciação em Cristo. E o propósito deste batismo é a incorporação “em um corpo (en)”, que é o corpo de Cristo, a Igreja.”

Como conclusão sobre a polêmica em torno do batismo no (ou com) Espírito Santo, temos que “a verdade fundamental destacada é que, unindo-nos a Cristo, Deus nos deu tudo”. Pela indescritível graça de Deus, já fomos “abençoados com toda sorte de bênção espiritual … em Cristo” (Efés. 1:3), e é nossa responsabilidade apropriarmo-nos constante e progressivamente destas bênçãos, que já são nossas em Cristo”. De maneira semelhante, já que em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Col. 2:9) nós “recebemos a vida completa, em união com ele”.

Depois dos sábios comentários do Pr. Jhon Stot, vamos seguir adiante.

No pentecostes o que vemos são línguas inteligíveis de outras regiões. As pessoas conseguiam entender o que estava sendo dito, embora possivelmente o locutor não soubesse o que estava transmitindo. Foi isso que levou aqueles judeus a perguntar com tanta admiração: “o que significa isso?” Eles perceberam que estava acontecendo algo além das possibilidades dos discípulos. Ouviram a mensagem, porém sabiam que os discípulos não tinham condições de se expressarem daquela forma. As línguas eram estranhas apenas para quem falava.

Infelizmente, algumas discussões teológicas desprezaram o sentido mais importante do texto: A maravilhosa graça de Deus!!! O Espírito Santo realizou uma festa de iniciação da graça tanto para os discípulos como para os que se tornariam novos cristãos e quase dois mil anos depois deste fato, teólogos e pastores ainda debatem sobre pontos de dissensão ao invés de glorificarem a Deus pelo ministério do Espírito.

Começou ali um tempo ímpar para humanidade. O sistema arcaico da lei ficou obsoleto e a maravilhosa graça de Deus trouxe vida e esperança para a raça humana; destituída da glória de Deus e totalmente incapaz de justificar-se diante de um Deus Santo e Justo.

Sim, alegremo-nos com o pentecostes!!! A partir dali foi estabelecida uma nova era. A salvação que estava garantida aos que cressem em Cristo, agora pôde ser vista e confirmada de fato, por parte da multidão que se maravilhou diante da glória de Deus.

Definitivamente, tudo o que conhecemos como “Igreja” começou no pentecostes.

Para você fica a pergunta: você conhece a maravilhosa graça de Deus ou ainda está na fase do “o que significa isso?

 

Até a próxima!!!

 

Deus o abençoe!!!

 

 


Notas

1. J. Williams, David. Atos, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1985.

2. Stott, John R. W. Batismo e Plenitude do Espírito Santo. São Paulo: Editora Vida Nova, 1968.

3. http://www.abiblia.org/ver.php?id=1845#.UUda0jcXWd8 – Festa de pentecostes.

4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Costumes.

 

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