O pecado no reino

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“…Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos.” Atos 5.1-2

No texto anterior, nós conversamos um pouco sobre Barnabé e sua importância na igreja primitiva.

Infelizmente, depois da entrada do pecado no mundo, nenhuma relação humana é perfeita. Sempre há pelo menos um estraga-prazeres. Muitas vezes esse estraga-prazer somos nós mesmos, acabando com a paz e alegria de outros. Afinal de contas, todos somos pecadores.

É exatamente isso que está descrito no capítulo 5 de Atos. Um casal dissimulado, muito parecido com Adão e Eva, comete um erro aparentemente simples, porém fatal.

Tentaram passar uma imagem de generosidade, porém sua mentira teve a perna bem curtinha.

A história de Ananias e Safira é um contraste flagrante com o exemplo de generosidade manifestada pelos crentes.À semelhança de Barnabé (4.36s.), venderam um terreno, mas diferentemente deste, retiveram parte dos proventos antes de entregá-los aos apóstolos

No caso de Ananias e Safira, o pecado da fraude contra Deus foi rapidamente punido. O mesmo pecado foi muitas vezes repetido na história posterior da igreja, e é cometido por muitos em nosso tempo. Mas embora não se manifeste visivelmente o desagrado de Deus, não é menos desprezível a Sua vista agora do que o foi no tempo dos apóstolos. A advertência foi dada; Deus tem claramente mostrado Seu desprezo por este pecado; e todos os que se dão à hipocrisia e à cobiça, podem estar certos de que estão destruindo a própria alma.

O verbo “reteve” (gr. nosphizein, que ocorre aqui e no v. 3, e novamente no Novo Testamento somente em Tito 2:10), é empregado na LXX, na história de Acã, que “reteve” uma parte do saque de Jericó, que havia sido oferecido a Deus (Josué 7:1).

Lembra também a história de Acã, vivida no deserto. Até o verbo “reteve” (gr. nosphizein) é o mesmo empregado nas duas histórias, sendo a punição exemplar para as duas famílias, não somente para o infrator.

David J. Williams, comenta:

“ A pergunta: por que encheu Satanás, no grego, (v. 3) implica em que o fato não precisava ter acontecido — que Ananias tinha a capacidade de escolha, que poderia evitar o pecado. A redação encerra uma expressão no v. 4 (lit, “formaste este desígnio em teu coração, uma frase tipicamente hebraica) demonstra que o pecado surgiu após longa e cuidadosa deliberação. Na verdade, a referência ao fato de Satanás haver entrado no controle de seu coração (lit., Satanás havia “enchido seu coração”) pode até sugerir que aquela mentira se tornara uma espécie de obsessão para Ananias.”

Ao encerrar a história, Lucas usa a palavra igreja pela primeira vez em Atos.

Infelizmente, mentiras de todas as espécies continuam contaminando o reino, assim como fizeram Ananias e Safira.

Em diversas partes do mundo, a situação nas igrejas locais é semelhante à igreja católica antes da reforma protestante. Corrupção, imoralidade, luxo e política. A vida de grande parte dos líderes locais não se assemelha à Cristo.  

No Brasil, há pouco foi inaugurado o templo de Salomão, uma espécie de basílica para romaria evangélica. Ao invés de virtudes cristãs temos música gospel, moda gospel, tudo gospel… Um exemplo de como as coisas mudaram é a política. As eleições deste ano contaram com 270 candidatos que se declararam pastores. Isso jamais aconteceria na igreja primitiva. Cada um tinha sua vocação dentro do reino e cumpria o seu chamado.  

Vou te dar uma boa notícia: a nova reforma protestante já começou. Líderes como John Piper, Paul Washer e outros tem insistido na volta ao cristianismo histórico, no resgate do conhecimento de Deus, sua soberania e seus atributos.

Os desvios doutrinários das igrejas locais tem sido combatidos através da teologia reformada, divulgada (ainda que timidamente) em conferências, livros, vídeos e outros meios de mídia.

Se você é um cidadão do reino não fique inerte. John Bunyan escreveu em seu famoso livro O Peregrino: “como Cristão, devemos guerrear contra Apolião e lutar pra nos manter no reto e estreito caminho”.

Levemos avante a bandeira de um reino piedoso, governado por um rei que está acima de todos os outros. Não precisamos contextualizar, imitando o que os outros fazem por aí. Temos o nosso próprio estilo de vida. Morremos para o mundo e nascemos novamente para Cristo; temos coração de carne e não de pedra; somos forasteiros e peregrinos, nossa pátria é o ceu.

Vamos assumir definitivamente a nossa cidadania celestial. Chega de crise de identidade. Como fazemos isso? Buscando o conhecimento de Deus!

Afinal foi Ele quem disse: “…meu povo se perde por falta de conhecimento…” Os 4.6.

Ainda são válidas as palavras do apóstolo João: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.” (1 João 2:15-17).

Até a próxima!!!

Deus o abençoe!!!

                                                                                                              

Notas

1. J. Williams, David. Atos, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1985.

2. H. Gundry Robert. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1978.

3. Craig S. Keener. Comentário Bíblico Atos, Novo Testamento. São Paulo: Editora Atos, 2004.

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