Posso ter certeza da minha salvação? [conversa]

Como ter certeza que sou salvo? Você já se fez essa pergunta? Considerando que existe apostasia entre cristãos professos, um cristão pode ter plena certeza de sua salvação? Como? E qual o papel da igreja na certeza da salvação de uma pessoa? Clodoaldo Machado, Sillas Campos e Alexandre Mendes conversam sobre o tópico neste vídeo:

Fonte: Voltemos ao Evangelho

Como ser salvo?

Como ser salvo?

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Reconheça que você é pecador

Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

(Romanos 3.23; 5.8;6.23)

 

Arrependa-se dos seus pecados

O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.

Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor, e ele mande o Cristo, o qual lhes foi designado, Jesus. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.

(2 Pedro 3.9; 2 Coríntios 7.9 Atos 3.19-20;1 João 1.9)

 

Confesse Jesus como seu único Senhor, Salvador e Deus

Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação. Porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.

Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 

(Romanos 10.9-10; 10.13;1 João 4.15)

 

Em Cristo…

Você passa a ser filho de Deus.

Aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus. Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.

(João 1.12; 3.16-17)

 

Você pode ter certeza da VIDA ETERNA e que nunca perderá sua salvação.

Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai.

 

Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

 

Somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

(João 5:24;10:27-29;Romanos 8.1-2; 37-39;32-35)

 

 

 

Suicídio x Perda da Salvação

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Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação.

Em essência temos, então, quatro posições:

    1. Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).
    2. Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.
    3. Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.
    4. Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação.

A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.

No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz?

Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:

  • O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.
  • O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.
  • O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.
  • De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.
  • O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18)
  • O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30)

A salvação e o ato do suicídio

Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.

Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.

Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.

Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.

Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado.

A resposta para essa pergunta é evidente: Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.

A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara em Romanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, e Filipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

  • Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?
  • Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?
  • Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?
  • Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?
  • Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?
  • Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.
  • Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.

Fonte: Ministério FIEL

 

Graça e Consumação

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Por Dilsilei Monteiro

 

O salmista, no Salmo 84.11, afirma que “O Senhor dará graça e glória”. Nisso reside a grande verdade de que a graça de Deus na vida dos eleitos é a promessa de sua glória por vir. Na verdade, é mais do que a promessa, é essencial e indiscutivelmente uma parte da glória em si. Graça atual é a glória futura. Aquele que tem o menor grau de graça em sua alma tem os começos de glória.

Há grande consolação nessa verdade, uma vez que é o cultivo de uma perspectiva eterna que, segundo as Escrituras, nos dá conforto durante os momentos de sofrimento dessa vida.

Ao longo da vida cristã aprendemos que “graça”, por definição, é algo que não podemos ganhar, não merecemos, não considera mérito e que é a nossa única esperança de salvação. Algo muito importante é que a razão de nossa confiança é a Graça de Deus.

A Graça é um dos termos mais preciosos e significativos da Bíblia. Ele fala da livre e incondicional escolha de Deus de um povo para si e eternamente amado. Ele fala de Sua misericórdia para com os miseráveis, de Seu perdão para os culpados, de Seu favor para os perdidos, de Seu amor livre e sem limites para os pobres pecadores.

Certa ocasião, ouvindo o Rev. Wadislau Gomes, obtive uma ainda melhor compreensão da graça. Explicando o termo, contou-nos sobre o hábito de certos lugares de se indagar sobre o nome de pessoas com seguinte pergunta: “Qual a sua graça?”. Pois bem, Rev. Wadislau disse que “a dele”, a graça em sua vida, “era Cristo”. E é exatamente isso, o nosso Senhor Jesus, o dom inefável de Deus, é o depositário da graça. O nosso mediador perfeito é a Cabeça e a Fonte de toda a graça aos seus santos. Nele habita toda a plenitude da graça, no passado, no presente e no futuro!

Isso mesmo, no futuro! Porque a graça de Deus também é escatológica e é nela que funda a segurança da nossa esperança. Por todo o Novo Testamento o que percebemos é o povo de Deus movido por essa expectativa escatológica e, de lá para cá, de tempos em tempos notamos essa percepção da graça de Deus sendo diminuída.

Se as promessas de Deus e seu cumprimento não fossem tão indissoluvelmente ligadas à Sua graça, então todos os incentivos da vida eterna após a morte iriam ter pouco conforto sobre nós ou mesmo nenhum. Em outras palavras, se Deus houvesse prometido aos seus eleitos a vida eterna, mas deixasse-nos a tarefa de alcançá-la, então não haveria nenhuma razão final que nos levasse a ter absoluta confiança de que poderíamos estar diante Dele no porvir. Então, realmente, que esperança haveríamos de ter na consumação não fosse sua graça uma garantia no passado, no presente e no futuro?

Certamente, sem a graça com seus efeitos também na consumação estaríamos envolvidos em um otimismo incerto, ou até mesmo em certo desespero.

É preciso – muito necessário mesmo – ter sempre em perspectiva o futuro maravilhoso que Deus tem preparado para nós, e a esperança da glória que nos será dada mediante a glorificação do corpo ressurreto para a vida eterna, conforme registra o apóstolo Paulo em Romanos 5.2: “Nós nos gloriamos na esperança da glória de Deus“.

O apóstolo Pedro, em sua primeira carta, registra:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas. Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar. Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo;” (1 Pedro 1.3-13)

Nesse registro de Pedro, no capítulo primeiro de sua primeira carta, encontramos que o Deus de toda graça chamou e chama Seu povo à sua eterna glória em Cristo, o perfeito, para confirmar, fortalecer e estabelecer. Esse é o chamado eficaz, esse é o chamado que regenera, que justifica, que resgatou e resgata os eleitos, que os converteu de seus maus caminhos. Mas não é só isso, a obra salvífica de Deus, para alcançar e salvar o povo do Seu pacto, era e é uma obra que pretende produzir glória eterna para Cristo. Nisso reside a glorificação, último ato da salvação.

Segundo Pedro nos ensina, uma legítima perspectiva da graça reside na glória! Ocorre que, se indagarmos a muitos cristãos de hoje, eles não se alegrarão com isso, nem com a volta gloriosa de nosso Senhor Jesus e a própria glória que nos será dada em Sua primogenitura. O que se assiste é cristãos pensando uma vida cristã cuja esperança tem seus limites em nossas experiências daqui, que abandonam a perspectiva da eternidade deixando de contemplar a maravilha do que está por vir por qualquer bocado de conforto mínimo aqui. Portanto, é necessário entender a relação entre a graça de Deus e a Glória porvir para que possamos viver confiantes em uma salvação que, tendo sido concedida a nós pela graça e poder de Deus, nos faz regozijar numa esperança clara e firme da herança que nos está prometida.

Quando falamos da graça, é preciso olhar para o passado e para o presente, mas, sobretudo, para o futuro e para a glorificação. Assim experimentaremos os significativos efeitos disso sobre nós, aumentando a esperança e qualificando a vida dos santos do Senhor. Veja a orientação de Pedro: “Cingindo suas mentes para a ação, mantenham-se sóbrios em espírito”(v.13) e continua a seguir: “esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo”.  Essa graça que nos é oferecida em Cristo é a promessa de uma herança eterna indestrutível, um futuro glorioso na presença de Deus, e deve ser essa a base de toda a nossa esperança, ser aquilo que orienta todo o nosso viver.

A nossa grande dificuldade tem sido pensar sobre o céu como o maior e o elemento culminante da graça. Graça e consumação são indissociáveis e, por alguma razão, não temos entendido isso!

Essa orientação das Escrituras tem profunda relação com o modo em que devemos viver nossas vidas. Paulo em Romanos 8.18 afirma: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.”

É certo, na demonstração de Paulo que, em meio a provações e sofrimento, é crucial que tenhamos uma perspectiva eterna, lembrarmos que os julgamentos temporais e as dores desta vida não podem sequer ser comparados com a glória futura que aguarda o povo de Deus e que o contrário disso nos levará a um conceito muito frágil e muito errado da graça de Deus.

É verdade que já vivemos, pela graça, os efeitos da implantação do reino dos céus naquilo que chamamos de “já e ainda não”, a aptidão dos dois estados com as circunstâncias do cristão é evidente. A graça passada e presente é parte do crente aqui; glória é a recompensa da graça futura. Uma é elemento essencial de sua condição atual, outra é sua condição futura. A Glória em sua plenitude não pode ser realizada na terra, visto que ela pertence a um estado perfeito do ser; e a graça não pode ser exercida no céu, visto que ela se refere ao pecado e à tristeza em suas formas infinitas. Ambas não fazem parte da nova ordem, estão, de maneira absoluta, ausentes dos novos céus e nova terra. Então, enquanto vivemos neste estado imperfeito do ser, somos sustentados, santificados e confortados pela graça, mas, quando somos libertos do fardo do pecado e a alma é despojada de suas vestes terrenas, a missão da graça é cumprida, a sua obra é completa e nós então somos recebidos acima na glória no estágio final da graça.

Portanto, todo crente deve viver ansioso pelo que a graça eterna vai fazer em sua vida. Deve ansiar pela graça futura. Deve se alegrar pela graça no passado. Regozijar-se pela graça no presente. Esperar,inteiramente, pela graça na glória que lhe está reservada no futuro.

Neste ponto, ressaltamos que a graça é trinitária. Já assentamos a relação do pai e do filho anteriormente, agora é preciso dizer que é na habitação do Espírito Santo que o crente experimenta não apenas aspectos da graça presente, mas a graça futura, visto que promove os primeiros frutos da glória. Por isso que o apóstolo fala dos santos de Deus como tendo “as primícias do Espírito”.

Na visão que Paulo estabelece em Efésios 1, texto conhecido como os himalaias da Bíblia em razão de sua grande expressão doutrinária, podemos estabelecer o seguinte esboço:

                   – v. 3-6: O papel do Pai na salvação (passado)

                   – v. 7-12: O papel do Filho na salvação (tempo presente)

                   – v. 13-14 O papel do Espírito Santo na salvação (futuro)

O Pai planifica a redenção, o Filho a compra, e o Espírito a aplica.

A obra da salvação glorifica cada pessoa na Trindade, toda a divindade é glorificada na salvação de um pecador. Portanto, é pela economia da trindade que temos uma completa compreensão da graça. É na Trindade completa que somos completamente salvos, em todos os atos, do primeiro ao último. Nenhum deles baseado no pecador, em qualquer bondade ou merecimento, mas unicamente com base na graça de Deus e para a glória de Deus, o Deus que é infinito em merecimento.

A respeito da perseverança dos santos, Hoekema nos ensina que:

“O Espírito Santo está também indispensavelmente envolvido com nossa preservação ou perseverança na fé. Duas figuras bíblicas nos convidam a consideração: “selo” e “penhor”. O Espírito é o selo de nossa final redenção em Efésios 4:30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual [ou com o qual] fostes selados para o dia da redenção”. Nos dias do Novo Testamento um selo era usado como marca de propriedade; ser selado como Espírito significa ser separado como alguém que pertence a Deus. Nessa passagem, ser selado com o Espírito significa também que o Espírito nos guardará em comunhão com Deus até o dia final da redenção.”[1]

E prossegue adiante:

“Igualmente, em Efésios 1:13 e 14, Paulo encoraja-nos, dizendo: ” … Tendo nele também crido, fostes selados como Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até o resgate da sua propriedade … “. A palavra traduzida aqui por “penhor” [depósito de garantia], e arrabon, que também pode ser traduzida por “promessa”. Se temos o Espírito em nós, Paulo afirma, temos a segurança de que o futuro de glória, que é nossa herança em Cristo, será um dia nosso – nada poderá nos tirar essa herança!

A palavra arrabon, em relação ao Espírito, é usada em duas outras passagens.

Aprendemos de 2 Coríntios 1:22 que Deus “nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração”. Ele nos deu seu Selo de propriedade e pôs um Depósito em nosso coração. Em 2 Coríntios 5:5 Paulo diz-nos que Deus, que está preparando para nos “um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (v. 1 ), outorgou-nos “o penhor do Espírito”. O Espírito Santo, em outras palavras, de maneira misteriosa – porém maravilhosa – habilita-nos a perseverar no caminho cristão até o dia quando entraremos na posse final da herança numa nova terra glorificada.”[2]

No mesmo sentido, ele afirma em seu livro “a Bíblia e o Futuro”, que:

“A palavra arrabon, como aplicada ao Espírito, portanto, enfatiza especialmente o seu papel na escatologia. Ela indica que o Espírito, que agora os crentes possuem é a garantia e penhor do complemento futuro de sua salvação ao no eschaton. Enquanto que a designação do Espírito, como primícias, indica a natureza provisória do gozo espiritual presente, a descrição do Espírito, como nossa garantia, implica a certeza do cumprimento derradeiro.[3]

Na última fase dessa salvação graciosa, os santos são fiéis, eles continuam na fé, eles perseveram na fé, essa é a ideia da doutrina clássica “Perseverança dos santos.” Essa frase consoladora aparece em Apocalipse 14.12: “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”. Que sofrem, mas continuam. E Efésios 1.3 afirma que essa bênção da perseverança é parte da graça e das bênçãos de Deus, que o Pai dá àqueles que Ele separou e fez santos que são fiéis. A preservação da graça de Deus é a bênção espiritual que precisamos para a perseverança na fé, por Sua preservação dos santos, Deus permitindo, capacitando, garantindo, eternamente garantindo a graça que nos mantém permanentes e perseverantes.

A definição dessa doutrina pode ser encontrada na Confissão de Fé de Westminster:

“Aqueles aos quais Deus aceitou em seu Amado, efetivamente chamados e santificados pelo Espirito, não podem, total ou finalmente, cair do estado de graça; eles certamente perseverarão ate o fim, e serão eternamente salvos.”

Essa doutrina da perseverança dos santos está expressa no Catecismo Maior de Westminster, do qual transcrevemos abaixo as perguntas 79 a 81:

Pergunta 79: “Não poderão os crentes verdadeiros cair do estado de graça, em razão das suas imperfeições e das muitas tentações e pecados que os surpreendem?

Resposta: Os crentes verdadeiros, em razão do amor imutável de Deus ( Jr 31:3; Jo 13:1) e do seu decreto e pacto de lhes dar a perseverança ( I Co 1:8; Hb 13:20 e 21; Is 54:10), da união inseparável entre eles e Cristo ( I Co 12:27; Rm 8:35-39), da contínua intercessão de Cristo por eles ( Hb 7:25; Lc 22:32), do Espírito e da semente de Deus que habitam neles ( I Jo 2:27), nunca poderão total e finalmente cair do estado de graça, mas são conservados pelo poder de Deus, mediante a fé para a salvação ( Jr 32:40; Jo 10:28)”.

Pergunta 80. Poderão os crentes verdadeiros ter certeza infalível de que estão no estado da graça e de que neste estado perseverarão até a salvação?

Aqueles que verdadeiramente crêem em Cristo, e se esforçam por andar perante Ele com toda a boa consciência, podem, sem uma revelação extraordinária, ter a certeza infalível de que estão no estado de graça, e de que neste estado perseverarão até a salvação, pela fé baseada na verdade das promessas de Deus e pelo Espírito que os habilita a discernir em si aquelas graças às quais são feitas as promessas da vida, testificando aos seus espíritos que eles são filhos de Deus.

I João 2:3; 1 Cor. 2:12; 1 João 4:13, 16 e 3:14,. 18-21, 24; Heb. 6:11-12; Rom. 8:16; 1 João 5:13; 11 Tim. 1: 12.

Pergunta 81: “Têm todos os crentes sempre a certeza de que estão no estado da graça e de que serão salvos?

Resposta: A certeza da graça e salvação, não sendo da essência da fé, crentes verdadeiros podem esperar muito tempo antes de consegui-la ( Is 50:10; Sl 68); e depois de gozar dela podem sentir enfraquecida e interrompida essa certeza por muitas perturbações, pecados, tentações e deserções ( Sl 31:22; Sl 73:1- 12; Sl 30:6, 7; Sl 51:8, 12); contudo, nunca são deixadas sem uma tal presença e apoio do Espírito de Deus, que os guarda de caírem em desespero absoluto ( Jó 13:15; Sl 73:13- 15)”.

Jesus disse: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24). Deus também diz em Salmos 97:10: “Ele preserva as almas dos seus santos.” Uma certeza confiante, pela graça, a mesma que Paulo teve até o fim de sua vida está em 2 Timóteo 4.18: “… o Senhor me levará salvo para o seu reino celestial.” A confiança de Paulo era uma grande segurança da graça que havia lhe alcançado e que o levaria à glória final: “Quanto a mim, já estou sendo oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto  juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4.6, 7 e 8).

 J.C. Ryle, em seu livro Santidade, começa seu capítulo sobre a garantia comentando estas palavras de Paulo:

“Nestas palavras das Escrituras, vemos o apóstolo Paulo olhando em três direções: para baixo, para trás e para diante. Para baixo, a sepultura; para trás, o seu próprio ministério; e para diante, aquele grande dia, o dia do juízo! Ficar ao lado dos apóstolos por alguns minutos e dar atenção às palavras por eles usadas nos faz bem. Feliz é a alma que pode olhar para onde Paulo olhou e, então, falar como ele!”[4]

E ele continua:

“Notemos que o apóstolo falou sem a menor hesitação ou senso de desconfiança. Ele reputava a coroa como algo já garantido, como algo que já lhe pertencia. Ele declara com inabalável confiança a sua firme persuasão de que o Justo Juiz haveria de entregar-lhe a coroa. Paulo não estranhava todas as circunstancias daquele dia solene. O grande trono branco, a humanidade inteira reunida, os livros abertos, o desvendamento de todos os segredos dos homens, os anjos como testemunhas, a temível sentença, a eterna separação entre os salvos e os perdidos. Com todas estas coisas ele estava bem familiarizado, porém, nem uma delas o abalava.

Sua poderosa fé saltava por cima de tudo, e ele via somente a Jesus, seu todo-prevalente Advogado, o sangue da aspersão e os pecados perdoados. Disse ele: “Uma coroa me está reservada”. “O próprio Senhor a entregará a mim” Paulo falava como se estivesse contemplando tudo com os seus próprios olhos.[5]

 

Esses são os efeitos da segurança das bênçãos trinitárias na salvação. Estar em Cristo é grande segurança porque ninguém pode arrancar-nos da sua mão, ou fora da mão do pai, como nos assegura João 10.27-29. Estar em Cristo, em união com Cristo, é a fonte de toda a segurança. Deus, o Espírito Santo é a mais completa e definitiva garantia para o crente, por sua obra dentro de nós.

Paulo, em Romanos 8.37-39, nos afirma que “em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”

A invencível e irreversível graça de Deus Pai e Deus Filho (Ef .:3-6) tem forte e perfeito apelo para fortalecê-la ainda mais (v. 13-14) somando à atuação da graça do Espírito Santo. Paulo traz mais esta afirmação gloriosa (v. 3-14) garantindo ainda mais bênção mediante a conclusão e culminação pela graça do Espírito Santo de selar e conferir segurança a tudo que Deus Pai e Deus Filho têm feito e não poderá jamais ser desfeito, porque Deus, o Espírito Santo pessoalmente, sela e assegura sua consumação.

Revisando Efésio 1.3-14, vemos que a Trindade é integralmente envolvida no processo de salvar os pecadores, garantindo-lhes a salvação. E isso Deus o faz completamente, do início até o fim, antes que houvesse o tempo (v. 4) e até o fim dos tempos (v. 10, 14). E, nesse contexto, o Espírito Santo oferece a graça de preservar a perseverança dos santos, assim eles vão ter firmeza até o fim.

Não é um poder do homem que o faz firme, mas o poder e a graça de Deus que preservam e mantêm aqueles que são verdadeiramente salvos, e para sempre salvos. É por isso e assim que os verdadeiros crentes perseveram. Devemos persistir até o fim, mas, no final, nossas obras não ganham ou mantêm nossa salvação, é a obra de Deus que nos salva e é a obra de Deus dentro de nós que demonstra que somos salvos.

A esse respeito comenta Anthony Hoekema que, se “deixados por si só, entregues a sua própria força, aos seus próprios recursos, eles indubitavelmente cairiam e perderiam sua salvação. Mas Deus não permite que isso aconteça aos que são seus, aos que ele escolheu em Cristo desde a criação do mundo (Ef 1.4) e que predestinou para serem conforme a imagem do seu Filho (Rm 8.29). Esse é o ponto mais importante; e realmente o cerne da doutrina. Os crentes perseveram apenas porque, em seu imutável amor, Deus os capacita a perseverar.”[6]

E depois continua: “Fica evidente, portanto, que o Reino de Deus, como descrito no Novo Testamento, não é um estado de atividade realizada por meio de conquistas humanas, nem a culminação de esforços humanos extenuantes. O Reino é estabelecido pela graça soberana de Deus e suas bênçãos devem ser recebidas como dons dessa graça.”[7]

Essa garantia bíblica não vem de nenhum de nossos atos passados, presentes ou futuros, mas baseia-se unicamente no que o Espírito Santo fez, está fazendo e fará em nós.

Assim é que a relação entre graça e escatologia bíblica não apenas afirmam nossa esperança na glorificação e na volta do Senhor Jesus inaugurando a nova ordem, mas também nos capacita a viver aqui coerentemente com essa expectativa. O evangelho da graça move o pecador justificado para um labor santo, a um amor ativo na promoção do reino que está se estabelecendo

Esse é o espírito da pergunta 52 do Catecismo de Heidelberg:

  1. Que consolo traz a você a volta de Cristo “para julgar os vivos e os mortos”?
  2. R. Que, em toda miséria e perseguição, espero, de cabeça erguida, o Juiz que vem do céu, a saber: o Cristo que antes se apresentou em meu lugar ao tribunal de Deus e tirou de mim toda a maldição (1).

Ele lançará, na condenação eterna, todos os seus e meus inimigos (2) , mas Ele me levará para si mesmo, com todos os eleitos na alegria e glória celestiais (3).

(1) Lc 21:28; Rm 8:23,24; Fp 3:20; 1Ts 4:16; Tt 2:13. (2) Mt 25:41-43; 2Ts 1:6,8,9. (3) Mt 25:34-36; 2Ts 1:7,10.

E então? Qual o efeito de mudarmos nosso olhar para a graça na perspectiva da eternidade? Vimos que a vida eterna é um dom da graça. A glorificação é o ato final da graça. É a graça final em graça sobre graça. Em que medida essas verdades ancoram nosso viver, toda a nossa vida?

Tamanha imensidão da graça na perspectiva da consumação do pacto, da certeza da glória vindoura, deveria nos conduzir a viver de modo mais íntimo aquilo que é eterno, “as coisas do alto”, conforme a recomendação do apóstolo Paulo aos colossenses.

É preciso estar nesse mundo, mas viver como cidadão dos céus, sem obstáculos e interrupções na comunhão com o Senhor vivo. Experimentaremos isso, em toda a adoração, oração e serviço que prestamos, a cada suprimento da graça, se conscientes de que a glória de nossa preservação não pode ser comparada com a expressão avassaladora da glória eterna.

Pensar nas “coisas lá do alto” é viver na expectativa da graça futura e da glória que nos está prometida, seguindo a recomendação de Pedro, numa firme esperança da  graça final.

A viva expressão da esperança da glorificação passa também pelo anseio pela cidade eterna, conforme Paulo fala aos Filipenses no capítulo 3 e versículo 20: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” Em Mateus 25, nosso Senhor, em uma expressão da grandeza dessa glória, disse em meio à parábola sobre os servos: “Entra no gozo do teu Senhor.” Essa é a característica dominante do céu, a plenitude de Deus, de alegria, de satisfação e da exuberância do nosso Senhor.

Diante de gloriosas verdades, que o nosso interesse ​​neste mundo seja na medida da glória do Deus da graça e para o avanço de Seu Reino e muito vago em relação a coisas triviais, e que eliminemos de nossas vidas as disposições contrárias e exultemos em aclamação da graça e da glória do nosso Deus:

Vou à pátria – eu, peregrino -,

A viver eternamente com Jesus,

Que concedeu-me feliz destino

Quando, ferido, por mim morreu na cruz.

 

Vou à pátria – eu, peregrino -,

A viver eternamente com Jesus!

Vou à pátria – eu, peregrino -,

A viver eternamente com Jesus!

 

Vou à pátria, vou à pátria – peregrino, peregrino -,

Com Jesus, com Jesus! Com Jesus viver!

Vou à pátria, vou à pátria – peregrino, peregrino -,

Com Jesus, com Jesus! Com Jesus viver!

 

Dor e pena, tristeza e morte

Lá no céu jamais o salvo encontrará!

E desfrutando de Cristo a sorte,

Eternamente a Deus exaltará.

 

Terra santa, formosa e pura,

Salvo por Jesus eu entrarei em ti;

Felicidade, paz e ventura,

Perfeitamente desfrutarei ali.

(HNC 193 – Aspiração do Céu)

Soli Deo Gloria!

 

[1] Anthony Hoekema, Salvos pela graça, p. 40.

[2] idem, p. 40.

[3] Idem, A Bíblia e o Futuro, p. 77.

[4] J. C. Ryle, Santidade, PES, p. 135

[5] Idem, p. 137.

[6] Anthony Hoekema, Salvos pela Graça, p. 226.

[7] Idem, p.58.

Pacto da Graça – Conceitos iniciais

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Quando pensamos na palava pacto, a primeira coisa que vem à mente é a ideia de um contrato entre, pelo menos, duas partes. Nesse contrato, há condições, promessas e penalidades. O primeiro pacto, o chamado das Obras, Deus tratou com Adão, sendo este o representando de todos os seus descendentes com relação a essa aliança(ou pacto).

Neste, a promessa dada por Deus era a vida. A condição era a perfeita e completa obediência pessoal. Como o ser humano quebrou o Pacto das Obras, surge o da Graça (Gn 3.15), por causa do que a Confissão de Fé de Westminster[1] chama de incapacidade do homem de ter vida. Dessa forma, “o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto”. Diferentemente do primeiro, Deus “livremente oferece a vida e salvação através de Jesus Cristo aos pecadores, exigindo apenas fé destes em Cristo, prometendo dar a eles a vida eterna e Seu Santo Espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer”.

O teólogo O. Palmer Robertson[2] – autor do livro O Cristo dos Pactos – contribui para o nosso entendimento afirmando que aliança feita pelo Todo-Poderoso “é um vínculo de sangue soberanamente administrado”. Com o objetivo de tentar explicar tal definição, sugiro a seguinte ilustração: quando um casal escolhe adotar uma criança, os futuros pais fazem o compromisso de cuidar dela independente das circunstâncias. Ainda não sabem se ela vai ser rebelde ou não. Não importa. Os pais “soberanamente” (decisão unilateral – sem a participação da criança) concordaram em cuidar dela até o fim. Nesse sentido, soberanamente, o Deus Pai fez um pacto com o Deus Filho para salvar todos os eleitos através dos séculos pelo sangue derramado do cordeiro, seu próprio Filho: Jesus Cristo.

Encontramos também a palavra “concerto” com a mesma ideia de pacto/aliança. Segundo o dicionário VINE[3], tal palavra em hebraico (diatheke) significa primariamente “disposição de propriedade por vontade ou não”. Origina-se de um verbo que significa “cortar” ou “dividir”, em alusão a um costume sacrificial com relação a “fazer concerto” (Gêneses 15.10 e Jeremias 34.18,19). Entendemos com isso que todos os sacrifícios realizados no Antigo Testamento (AT) simbolizavam o principal e mais importante de todos, o de Cristo na cruz. Uma vez tendo sido morto e seu sangue derramando, disse Jesus: “Está consumado” (João 19.30).

Se Deus não tivesse tomado a iniciativa para salvar o homem, não haveria pacto. A Confissão de Fé Batista de 1689[4] afirma: “A distância entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência, por ser Ele o criador, elas jamais poderiam alcançar o Dom da vida, senão por alguma condescendência voluntária da parte de Deus. E isto Ele se agradou em expressar por meio de um pacto com o homem”.

Quanto à palavra “graça” existem alguns significados dependendo do contexto. No entanto, neste estudo o sentido é semelhante a At 7.10: “e o libertou de todas as suas tribulações, dando a José favor e sabedoria diante do faraó, rei do Egito;…”. Seria um favor divino, um ato de benevolência, boa vontade em geral. É algo dado por Deus, sem nenhum merecimento da nossa parte – independe da nossa vontade.

Dessa forma, também, podemos definir Pacto da Graça como um compromisso do Deus Pai para a salvação dos eleitos, absolutamente pela sua vontade e sem merecimento humano, através do sangue derramado na cruz do seu único Filho Jesus, o Cristo.

Notas:
[1] – HODGE, Alexander. A Confissão de Fé de Westminster Comentada por A.A.Hodge. SãoPaulo: Puritanos,1999,p.171
[2] – O. Palmer Robertson (Th.D., Union Theological Seminary, em Richmond) é o principal e diretor do Africano Bible College em Uganda e professor adjunto de Antigo Testamento no Seminário Teológico Knox. Ele tem servido pastorados em vários estados, falado em muitas conferências, lecionou em vários seminários, palestras e na África, Europa, Ásia e América Latina. Seus livros incluem The Genesis of Sex, The Israel de Deus, e Compreender a Terra da Bíblia. Fonte: http://www.monergism.com/directory/link_category/Audio-and-Multimedia/All-Speakers-Lectures-and-Sermons/O-Palmer-Robertson/
[3] – VINE,W.E.DicionárioVINE.6ed.RiodeJaneiro:CPAD,2006.Página486.

[4] – Capítulo7 – OPactodeDeus,página8.

 

Fontes:


Robertson, O. Palmer. O Cristo dos Pactos. Ed. Cultura Cristã, 2002;
VINE, W.E. Dicionário VINE. 6 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006;
Confissão de Fé Batista de 1689;
http://wilsonporte.blogspot.com/2010/10/o-pacto-da-graca-uma-breve-introducao.html.

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