A benção de ser coadjuvante!!!

A benção de ser coadjuvante!!!

“…Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias… ” Atos 9.10

O brasileiro é reconhecidamente muito criativo. Por isso já ganhou vários prêmios internacionais de propaganda. Cito aqui uma bem divertida. De uma perspectiva inusitada, um filmete recente mostra jogadores de futebol, com destaque para um “perna de pau”, cujo principal objetivo não era marcar gols, mas sim encontrar os amigos e se divertir com eles.

(mais…)

Posso ter certeza da minha salvação? [conversa]

Como ter certeza que sou salvo? Você já se fez essa pergunta? Considerando que existe apostasia entre cristãos professos, um cristão pode ter plena certeza de sua salvação? Como? E qual o papel da igreja na certeza da salvação de uma pessoa? Clodoaldo Machado, Sillas Campos e Alexandre Mendes conversam sobre o tópico neste vídeo:

Fonte: Voltemos ao Evangelho

Como ser salvo?

Como ser salvo?

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Reconheça que você é pecador

Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

(Romanos 3.23; 5.8;6.23)

 

Arrependa-se dos seus pecados

O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.

Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor, e ele mande o Cristo, o qual lhes foi designado, Jesus. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.

(2 Pedro 3.9; 2 Coríntios 7.9 Atos 3.19-20;1 João 1.9)

 

Confesse Jesus como seu único Senhor, Salvador e Deus

Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação. Porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.

Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 

(Romanos 10.9-10; 10.13;1 João 4.15)

 

Em Cristo…

Você passa a ser filho de Deus.

Aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus. Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.

(João 1.12; 3.16-17)

 

Você pode ter certeza da VIDA ETERNA e que nunca perderá sua salvação.

Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai.

 

Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

 

Somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

(João 5:24;10:27-29;Romanos 8.1-2; 37-39;32-35)

 

 

 

Interpretações Duvidosas – Hebreus 6 (2/2)

Interpretações Duvidosas – Hebreus 6 (2/2)

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Hebreus 6.4-8

Vimos anteriormente que um dos objetivos do autor era mostrar que não há salvação longe de Cristo e que essa salvação, uma vez recebida, não pode ser perdida, pois a salvação depende exclusivamente de Jesus Cristo.

Apesar disso, o capítulo 6 da mesma carta parece dizer algo contrário. Por isso, nesse momento iremos estudar específicamente Hebreus 6.4-8. Ao analisarmos os versículos de 4 a 8, constatamos que as palavras “experimentaram ou provaram” e “terra”, foram as que mais se repetiram. Cada uma repetiu duas vezes, e o termo “Deus” três no total. Isso nos mostra que o assunto levantado aqui gira em torno dessas palavras. Uma vez que esse trecho não é tão simples de ser entendido, analisaremos por partes.

Primeiro, o próprio escritor aos Hebreus orienta que nos “tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” (Hb 3.14; grifo nosso). Observando o texto com cuidado, fica a pergunta: as pessoas mencionadas em Hb 6.4-8 tinham permanecido até o fim ou tinham caído?

De acordo com reverendo Moisés Cavalcanti BEZERILL[2], a palavra grega em Hb 6.6 para queda1 (PARAPTÔMA), pode muito bem referir-se à:

1 – “Ofensas comuns” do dia a dia de um cristão (Mt 6.14; Mc 11.25; Gl 6.1) ou

2 – Ao estado de morte espiritual e condenação eterna, no qual se encontram todos aqueles que ainda não foram vivificados e ressuscitados por Deus em Cristo Jesus (Rm 4.25;5.15-18,20;11.11; 2Co 5.19; Ef 1.7;2.1,5; Cl 2.13).

1O verbo cair no original em Gl 5.4 (está no sentido figurado) é diferente de Hb 6.6 (está no sentido literal)

Dessas duas opções, a segunda parece ser a mais provável pois todos os pecados comuns tem perdão, mas o texto em estudo fala de algo que não tem restauração. O próprio Cristo disse de si mesmo, “quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus ” (João 3:18). Assim como em Gálatas, essas “pessoas que caíram” estavam acreditando que poderiam ser salvas pelo cumprimento da Lei e por isso estavam voltando para o judaísmo e negando o evangelho.

Segundo, quem não confia somente em Cristo para salvação, mesmo que viva anos em uma igreja nunca será salvo enquanto não crer “no nome do unigênito Filho de Deus”. Crer dessa forma, significa crer e depender somente de Cristo para a salvação. É acreditar totalmente no Filho de Deus, obedecendo-o e confiando que Ele é capaz de garantir a sua salvação até o fim. Mas, não foi isso que aconteceu com essas pessoas que abandonaram o evangelho (“caíram”, cometeram apostasia [4]), elas não eram de fato convertidas apesar de terem vivido; presenciado os milagres de Deus, o dia a dia da igreja; e abençoados juntamente com os eleitos de Deus. Como disse o apóstolo João certa vez: “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1 Jo 2.19; grifo nosso).

É nesse sentido que tais pessoas foram iluminadas (esclarecidas, foi lançado luz sobre algo [5]). Tornaram-se participantes (bem diferente de “terem recebido o Espírito”) do Espírito Santo e provaram o dom celestial: Elas conheceram e entenderam intelectualmente o plano da salvação. Participaram das bençãos da igreja. Vivam como cristãos aceitando a idéia de Cristo como Salvador e provavelmente foram batizadas. Fizeram confissão de fé, talvez tivessem pregado o evangelho. Presenciaram milagres, receberam ou realizaram algum em nome de Jesus e até foram batizadas. Também experimentaram a bondade da palavra de Deus. No entanto, como acontece hoje em dia, eram cristãos nominais. Não eram convertidas. Acreditavam apenas que o evangelho seria algo melhor, mas não poder para salvação.

Era para essas pessoas que o autor de Hebreus estava falando. Elas não permaneceram em Cristo até o fim, negaram a Cristo. Por tanto, podemos resumir Hebreus 6 do versículo 4 ao 5 da seguinte forma:

Hebreus 6.4-5

Pergunta

Resposta

“provaram o dom celestial” e “experimentaram a bondade da palavra de Deus

Um não salvo pode provar das bênçãos de Deus distribuídas na igreja? Mateus 7.22-23; Hebreus 10.26-27

SIM

tornaram-se participantes do Espírito Santo

Um não salvo pode viver como se fosse cristão e negar o Evangelho um dia? Hebreus 3.14

SIM

 

Terceiro, a palavra “terra” nos versículos 7 e 8 muito tem a nos dizer, mas parece que não é levada em consideração por alguns. Certa vez o próprio Senhor explicou utilizando a mesma palavra [6] “terra” como simbologia de “coração” na parábola do semeador em Mateus 13.19-23:

Versículo

Texto

Resultado

19

“alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende

Não entende: “O Maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração”

20 a 21

 

“ouve a palavra e logo a recebe com alegria.”

Permanece pouco tempo no evangelho: “Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona.”

22

“ouve a palavra, mas …

Não produz frutos: “mas a preocupação desta vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera.”

23

“o que foi semeado em boa terra: este é aquele que ouve a palavra e a entende”

Permanece até o fim: “dá uma colheita de cem, sessenta e trinta por um”

 

Agora vejamos o que diz Hebreus 6.7-8 logo após o autor dizer que é “impossível que tais pessoas” (que não permaneceram até o fim crendo em Cristo, apesar de tudo que viveram e ) sejam reconduzidas ao arrependimento:

Versículo

Texto

Resultado

7

Terra[boa] que absorve a chuva, que cai freqüentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam”

Permanece até o fim: Recebe todas as bênçãos de Deus (incluindo a salvação).

8

 

Terra [inútil] que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada.”

Não permanece até o fim: Seu fim é ser queimado, experimenta algumas bençãos e de jeito nenhum receberam a principal: a salvação.

 

Presume-se que o autor estava se referindo à “terra inútil” quando disse ser “impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”. Depois de todo conhecimento e experiência, a pessoa decide voltar para os pecados anteriores, isso faz com que seu coração seja endurecido e impossibilite o arrependimento.

Com relação a palavra reconduzido (NVI) ou renovado (ACF), no grego significa “voltar ao estado anterior” [2], neste caso, de arrependimento. Pois, quem está em Cristo tem uma vida de arrependimento, isto é, quando um salvo peca, ao ser confrontado com a Palavra e pelo Espírito Santo ele é levado ao arrependimento. Pessoas que apostatam da fé nunca mais desejarão voltar para a igreja e nem mesmo acreditarão mais na Palavra de Deus.

Segundo o pastor McArthur, “a prova clara de que a pessoa insultou o Espírito da graça é a perda de toda a sua capacidade de desejar arrependimento e restauração” [3]. Ou seja, tal pessoa deseja continuar rejeitando o Espírito Santo e negando a Cristo. A blasfêmia contra o Espírito Santo consiste nisto.

Em Mt 12, por causa da incredulidade chegaram a afirmar que o Espírito Santo era Satanás ao dizerem que as obras do Espírito eram de Satanás. Mesmo que eles tenham conhecido as Escrituras, presenciado os milagres operados por Cristo, eles resistiram ao Espírito Santo e negaram a Cristo. Esse é o mesmo pecado que leva à morte mencionado em 1Jo 5.16-17:

“Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus lhe dará vida. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este. Toda injustiça é pecado, mas há pecado que não leva à morte.” (grifo nosso)

Como os eleitos foram predestinados para salvação mediante Jesus (Ef 1.4-6), então eles não podem ou jamais conseguirão blasfemar contra o Espírito Santo. O eleito depois de salvo, mesmo que venha a se desviar da fé, contudo não perde completamente a capacidade de se arrepender e de um dia voltar a casa do Senhor, para os braços do pai.

Aplicação do Estudo

Caso você, leitor, desviou-se do evangelho mas deseja voltar, então você não blasfemou contra o Espírito Santo. Volte agora para os caminhos do Senhor. Pois está escrito:

Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7.37-38; grifo nosso)

e

todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei”. (Jo 6.37; grifo nosso)



NOTA:

[1] MARSHALL, I. Howard. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Ed Vida Nova, 2007;

[2] BEZERRIL, Rev. Moisés Cavalcanti. Artigo A queda dos Iluminados de Hebreus 6:4-6 Calvino e Matthew Poole. Acessado em 22/11/2013. Link http://www.monergismo.com/textos/perseveranca/iluminados_Bezerril.pdf

[3] MACARTHUR, John. Salvos sem sombra de dúvidas. São Paulo: Ed Palavra, 2011. Pág: 33;

[4] DANKER, Frederick W. & GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento. São Paulo: Ed Vida nova, 2012. Pág: 157;

[5] DANKER, Frederick W. & GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento. São Paulo: Ed Vida nova, 2012. Pág: 221;

[6] DANKER, Frederick W. & GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento. São Paulo: Ed Vida nova, 2012. Pág: 47;

[NVI] – Tradução Bíblica na Nova Linguagem Internacional;

[ACF] – Tradução Bíblica Almeida Corrigida Fiel.

Interpretações Duvidosas – Hebreus 6 (1/2)

Interpretações Duvidosas – Hebreus 6 (1/2)

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Hebreus 6.4-8

Na segunda parte desta série vimos que não nascemos sabendo de tudo e por isso não podemos rejeitar o que foi estudado ou escrito em mais do dois mil anos de cristianismo. Precisamos aprender a usar e a aplicar regras de hermenêutica e ter apoio de bons comentários e dicionários para que nossa interpretação, pelo menos, não nos faça dizer coisas que o texto não diz. A falta de uma compreensão equilibrada, é outro fator que tem levado muitos crentes a duvidarem da sua salvação quando confrontados por certas passagens bíblicas difíceis.

O primeiro “versículo problemático” estudado foi Gálatas 5.1-5. Vimos como é possível desviarmos do evangelho para “OUTRO evangelho”, ou seja, deixarmos o caminho da graça e nos apegarmos as coisas que contaminam o cristianismo sem, contudo, perder a salvação. Além disso, também estudamos que uma pessoa que não é convertida pode cair da graça, ou seja deixar os benefícios do evangelho, rejeitando a Cristo. Neste estudo analisaremos mais um “versículo problemático”, trata-se de Hebreus 6.4-8.

Analise do contexto histórico

De acordo com o teólogo Ian Howard Marshall, a maioria dos estudiosos concorda que essa carta destinou-se a um grupo de cristãos “tentado a se desviar da fé cristã, em conseqüência de uma combinação de pressão externa e fraqueza interna” [1]. Tais pessoas estariam com o desejo de retornarem ao judaísmo, talvez por falta de convicção no cristianismo ou pelas perseguições de seus famíliares que não aceitavam o cristianimo, pois elas teriam deixado a tradição judaica. Por isso, o autor teria concentrado seus esforços para alertar que a salvação longe de Cristo seria impossível. Seguem alguns motivos porque concordamos com MARSHALL.

 

Primeiro motivo

Fica evidente em Hb 2.1-3, que os cristãos foram exortados a prestarem maior atenção no que tinham ouvido, para que jamais se desviassem (vs 1), e por fim a não negligenciarem Jesus Cristo, a grande salvação de Deus. O autor ainda enfatiza que tal salvação foi primeiramente anunciada pelo próprio Senhor Jesus.

Em seguida, o autor convida todos a fixarem seus pensamentos em Jesus e crerem que Cristo é capaz de interceder e purificar de todos os pecados, uma vez que Ele é o apóstolo e sumo sacerdote que um dia eles haviam confessado. Como está escrito: “Santos irmãos, participantes do chamado celestial, fixem os seus pensamentos em Jesus, apóstolo e sumo sacerdote que confessamos” (Hb 3.1; grifo nosso).

Em Hb 3.7-19, o autor da carta deixa claro que muitos estavam com o coração endurecido por causa da incredulidade, assim como aconteceu com seus antepassados que acabaram se afastando do Deus vivo e morrendo pelo caminho devido ao pecado da incredulidade. Então ele incentivou seus leitores a não cometerem o mesmo pecado. Ao invés disso, eles deveriam encorajar uns aos outros todos os dias, de modo que nenhum deles fossem endurecidos pelo engano do pecado. Isso mostra que provavelmente algo estava desviando os cristão do evangelho.

 

Segundo motivo

Muitos estavam querendo voltar para o judaísmo crendo que o cumprimento da lei traria salvação ou ajudaria a completá-la. Talvez isso tenha motivado o autor a fazer um paralelo entre a lei e a graça, ou seja, entre Moisés e Cristo, ao afirmar com toda convicção: “Moisés foi fiel como servo em toda a casa de Deus, dando testemunho do que haveria de ser dito no futuro, mas Cristo é fiel como Filho sobre a casa de Deus; e esta casa somos nós, se é que nos apegamos firmemente à confiança e à esperança da qual nos gloriamos” (Hebreus 3.5-6; grifo nosso).

Ora, se realmente somos convertidos e nos gloriamos em Cristo, então temos firme confiança e esperança de que Ele é suficiente para nos salvar. Não precisamos de mais nada para completar a salvação. Além disso, todo aquele que se arrepende dos seus pecados e recebe a Jesus como seu único Senhor e Salvador se torna participante de Cristo, se de fato, se apegar até o fim à confiança que teve no princípio quando creu em Jesus (Hb 3.14). Quem é convertido de verdade (e não apenas influenciado), irá crer em Jesus do início ao fim da sua vida independentemente das circunstâncias.

 

Terceiro motivo

O autor faz mais um paralelo, entre o antigo sacerdote da lei e o único supremo e eterno sacerdote Jesus Cristo. “Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos” (Hb 4.14; grifo nosso). “E diz noutro lugar: ‘Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque’.” (Hb 5.6; grifo nosso). Parece que o escrito tenta deixar claro aqui que Cristo é o único que intercede, sem cessar, pelos filhos de Deus.

“Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.” (Hb 4.14-16; grifo nosso)

 

Quarto motivo

Está expresso nesta carta que Cristo garante definitivamente a salvação dos filhos de Deus:

“Querendo mostrar de forma bem clara a natureza imutável do seu propósito para com os herdeiros da promessa, Deus o confirmou com juramento, para que, por meio de duas coisas imutáveis nas quais é impossível que Deus minta, sejamos firmemente encorajados, nós, que nos refugiamos nele para tomar posse da esperança a nós proposta. Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.” (Hb 6.17-20; grifo nosso)

Diante desses argumentos, podemos concluir nessa primeira parte do estudo que o autor dessa carta não tinha o objetivo de criar dúvidas sobre a certeza da salvação. Mas, concentrou seus esforços para alertar que a salvação longe de Cristo seria impossível. Portanto, parece ser muito incoerente utilizar o capítulo 6 de Hebreus para afirmar que um crente pode perder a salvação. Na próxima parte, analisaremos novamente com cuidado o texto bíblico de Hebreus 6.4-8.

 

NOTA:

[1] MARSHALL, I. Howard. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Ed Vida Nova, 2007;

[NVI] – Tradução Bíblica na Nova Linguagem Internacional;

[ACF] – Tradução Bíblica Almeida Corrigida Fiel.

Suicídio x Perda da Salvação

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Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação.

Em essência temos, então, quatro posições:

    1. Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).
    2. Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.
    3. Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.
    4. Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação.

A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.

No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz?

Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:

  • O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.
  • O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.
  • O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.
  • De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.
  • O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18)
  • O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30)

A salvação e o ato do suicídio

Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.

Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.

Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.

Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.

Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado.

A resposta para essa pergunta é evidente: Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.

A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara em Romanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, e Filipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

  • Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?
  • Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?
  • Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?
  • Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?
  • Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?
  • Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.
  • Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.

Fonte: Ministério FIEL

 

Interpretações Duvidosas – Gálatas 5

Gálatas 5.1-5

Depois do trabalho em conjunto da Trindade, nesta parte do estudo entraremos em outra área que tem contribuído bastante para provocar dúvidas no coração dos crentes: o mal entendimento do contexto bíblico de alguns versículos de difícil compreensão. Sem dúvidas essas passagens tem gerado confusão e até mesmo divisão, simplesmente porque não é levado em consideração o contexto, ou seja, a exegese não é feita como deveria.

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