Uma porta se abriu…

“…Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos…”  Atos 11:26

Nas mensagens anteriores vimos que Cornélio e sua família receberam o Evangelho… Foi um momento ímpar na história da Igreja…

No capítulo 11 do livro de Atos dos Apóstolos, Lucas destaca três assuntos principais, a saber: o relatório de Pedro, a conversão de gentios em Antioquia e por fim, a profecia de Ágabo.

Vale à pena comentar um pouquinho de cada uma desses assuntos. Vamos lá!

Os judeus já aguardavam o retorno de Pedro à Jerusalém, a fim de o repreenderem, afinal de contas, ele não só visitou, como também comeu com gentios. Isso era um absurdo!

Interessante como Deus faz as coisas de modo perfeito. Primeiro Ele deu visões, tanto para Pedro, como para Cornélio. Depois derramou o seu Espírito Santo sobre Cornélio e os que estavam com eles. Assim, quando Pedro e suas testemunhas contaram o que havia acontecido, acabaram-se as resistências. Ora, se Deus concedeu o Espírito à eles, isso significa que “…na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida…” At 11:18

Depois desse relato Lucas nos faz recordar do martírio de Estevão:

E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. At 11:19

No início do capítulo 8, Lucas já tinha comentado sobre essa grande perseguição aos cristãos. Assim, no versículo 3, ele traz à tona um dos principais destaques do livro de Atos: Saulo, o perseguidor… vamos falar disso daqui há pouquinho.

Os comentaristas bíblicos e historiadores acreditam que  Antioquia era a terceira principal cidade do império romano. Flávio Josefo, grande historiador judeu,  era um deles. Por ser uma cidade cosmopolita, Antioquia tinha gente de todo império, que se misturavam facilmente. Isso facilitou para que a mensagem chegasse até os gentios. Os judeus de lá eram mais flexíveis do que os de Jerusalém.

Como sempre, depois de receber notícias, os apóstolos mandaram um representante.  Ninguém menos do que Barnabé, ”homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé.”  At 11:24. Barnabé fez um excelente trabalho e ao percebeu que mais pessoas estavam sendo salvas, chamou seu amigo: Paulo, o antigo Saulo do capítulo 8, versículo 3.

Veja que incrível: Lucas começou contando sobre a grande perseguição e citou Saulo como perseguidor. Agora ele conta que, o resultado dessa perseguição, foi a expansão do Evangelho e a conversão dos gentios, inserindo Paulo, como aquele que foi chamado para evangelizar os gentios.

Vale à pena observar que o foco da mensagem muda. Antes era Jesus como Messias para os judeus. Agora é Cristo como Senhor para os gentios.

O Evangelho foi tão transformador que rendeu um apelido aos novos convertidos: cristãos. Assim como existiam os herodianos, os cesarianos, os pompeianos, etc. Era um tipo de zombaria, piada, mas que acabou sendo adotado por todos mais tarde. Encaixava-se perfeitamente na descrição daquelas pessoas: “pequenos cristos”. Afinal, como dizia o apóstolo Paulo: “vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. Gl 2:20.

Por último, Lucas apresenta a providência de Deus. Ágabo, o profeta, aparece avisando aos cristãos sobre a grande fome, permitindo que fossem levantadas ofertas para os irmãos da Judéia. A mesma graça que Deus dispensou à José no Egito, para que os hebreus não passassem fome, foi oferecida aqui aos cristãos. A mesma igreja, muito rica antes da perseguição, agora recebe ofertas até dos gentios, entregue por quem a perseguia, ou seja, o apóstolo Paulo.

Assim, Deus nos mostra a sua sabedoria, soberania, graça e providência. Assim, Ele nos prova que “o nome de Jesus Cristo está acima de todos os nomes…” Fp 2.9.

Ao concluir essa mensagem eu faço questão de destacar algumas coisas:

1ª) Quando as coisas são realmente da vontade de Deus, Ele não deixa dúvidas. Assim como foi com Pedro e Cornélio, assim também Deus age conosco. As duas partes envolvidas tinham convicção dessa vontade.

2ª) Deus concede dons aos homens, segundo a sua misericórdia. Cada um deve exercer o seu dom. Ágabo não foi a Antioquia para pregar ou ensinar… Isso, Barnabé e Paulo já faziam… Ele foi exclusivamente para anunciar acontecimentos futuros, a fim de que, os cristãos demonstrassem amor uns pelos outros através das ofertas. Ainda hoje, muitos cristãos são amparados por Deus através de nossas ofertas. A Providência Divina está em nossos corações amorosos.

E, por último, creia em de Deus!!!

Não se deixe levar pelas aparências. Quando parece que tudo está dando errado, de pernas para o ar, eis que surge a Providência Divina. A Igreja que tinha se transformado numa comunidade onde eles repartiam até suas riquezas, estava debaixo de forte perseguição, parecia que seria destruída… um homem chamado Saulo estava sendo o mais cruel possível. assolando a todos. Falar o nome de Jesus estava proibido. De repente, o Evangelho se expandiu para Samaria e depois para os gentios… Saulo foi convertido pelo Cristo a quem ele perseguia, ficando conhecido como apóstolo Paulo e se tornou responsável por levar as ofertas da igreja de Antioquia.

Em resumo, jamais duvide do poder e da sabedoria de Deus…

“Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.”  Ef 3:20,21

Pense nisso!!!

Até a próxima!!!   

Deus o abençoe!!!                                                                                

por Elias Silvio

Notas

  1. J. Williams, David. Atos, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1985.
  2. H. Gundry Robert. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1978.
  3. Craig S. Keener. Comentário Bíblico Atos, Novo Testamento. São Paulo: Editora Atos, 2004.
  4. Stott, John R. W. A mensagem de Atos. Até os confins da terra. São Paulo: ABU Editora S /C, 1990.
  5. Kistemaker, Simon J. Comentário do Novo Testamento – Exposição de Atos dos Apóstolos. Editora Cultura Cristã, 2003.

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